PJC – Sentido contrário

Hoje venho até você para dividir uma preocupação: tenho nestes mais de trinta anos de advocacia e da minha luta em prol do meio ambiente, tentado informar e conscientizar a respeito da necessidade de respeitarmos os limites do nosso planeta.  Entre outras coisas falo sobre o uso racional dos recursos naturais, do consumo racional, da economia circular, dos 3 Rs  (reuso, reciclagem e redução), enfim toda uma gama de coisas que nos afetam diretamente e comprometem nossa qualidade de vida e a vida no planeta. Confesso que talvez isso não baste, então resolvi pedir a sua ajuda, a sua interação, que você deixe ser um espectador e passe a ser um agente atuante.

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Como fazer isso?

Primeiro é necessário entender que somos indivíduos parte de um todo, que somos um só, que tudo que fazemos ou deixamos de fazer, afeta a todos no planeta. Você sorriu? Não acredita nisso? Se você pensa assim caro leitor (a), está na hora de você rever seus conceitos.

O Brasil e o mundo passam por uma época de dificuldades, especialmente no tocante à moral e à ética. Estamos vendo pelos noticiários genocídios, guerras, terrorismo, irmãos nossos morrendo afogados enquanto buscam apenas conseguir viver em paz, longe das guerras, da fome, da miséria que assola certas regiões do mundo, famílias que apenas desejam viver com dignidade.

O que temos visto? Milhares morrem afogados, ou sufocados dentro de caminhões, outros tantos foram escravizados pelo grupo extremista Boko Haram, como no caso das mulheres em alguns países africanos, ou mesmo no Iraque onde o estado islâmico escraviza mulheres e as vendem para serem escravas sexuais.  Fome, corredores enormes de pessoas caminhando sem destino à espera de que algum governo estrangeiro tenha piedade deles e os acolham. Milhares de irmãos nossos vivendo em barracas, em condições sub humanas, e isto vem ocorrendo faz tempo, mas só agora o mundo se chocou devido ao triste episódio do menino Aylan, fotografado já desencarnado numa praia turca.

AYLAN

Ao jovem Aylan envio minhas energias mais positivas e a torcida para que sua morte não tenha sido em vão, que ela seja o início de uma mudança comportamental em nós, humanos, no sentido de que o amor fale mais alto e que todos juntos encontremos uma solução para estes irmãos neste momento.  Aylan, eu tenho certeza que sua morte não foi obra do acaso, sua aparição naquela praia turca tem um propósito maior que é o de nos unir, de nos ensinar que somos todos solidários com o sofrimento de sua família, pois somos parte de um todo como você era e continua sendo.

Após esta breve exposição, convido você leitor, independente de sua crença, a refletir sobre os rumos da nossa espécie.  Estamos caminhando no sentido contrário do que deveríamos nos afastando a cada dia mais do real objetivo da vida: evoluir.  Nos foram dadas duas opções para essa evolução, através do amor ou da dor.  Por hora, infelizmente, parece que escolhemos o pior caminho, o da dor.  A imagem do menino morto na praia reflete exatamente isso: a que ponto chegamos?  Fica a pergunta caro leitor: por qual razão escolhemos sempre o caminho mais doloroso? Por quê não conseguimos falar e praticar atos de amor?

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Fiz uma pesquisa particular e me assustei com as respostas, as pessoas tem vergonha de falar de amor, parece que se sentem fragilizadas ao falarem disso! Como assim? Gostaria de cifrar que o amor é atemporal, uma vez que ele é capaz de transitar no tempo e no espaço.  O amor é o sentimento que precisamos fortalecer,  o elo que nos levará adiante em nossa evolução com maior rapidez e sem dor.

Fico me perguntando: Carlos, como falar sobre meio ambiente com as pessoas se estamos caminhando no sentido contrário a nossa própria natureza? Como desejar que as pessoas tenham uma consciência ambiental se ao invés de agirmos com compaixão e solidariedade ficamos apenas nos lamentando no sofá pelas mortes absurdas dos nossos irmãos mundo afora?

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Sem respostas, resolvi rever alguns filmes inspiradores. Era isso, às vezes imagens falam mais alto que palavras, como a foto de Aylan na praia. Assisti de novo os filmes In Time, Lucy e Interestelar, isto me trouxe a confirmação do eu já sabia: em todos eles temos o TEMPO como a única medida a que devemos nos ater, e em associação imediata, lembrei que o AMOR é um sentimento que transita no tempo sem dificuldade.  Como?

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Você pode amar alguém que já desencarnou? Claro que sim, todos temos entes amados que já não estão conosco. Você amou momentos felizes que lhe aconteceram? Você não ama a ideia de conseguir realizar um sonho que ainda não ocorreu? Você não ama estar com as pessoas a quem ama?

Como você viu nos exemplos acima,  o amor pode estar presente tanto no passado, quanto no presente e no futuro.  Portanto, fica aqui a recomendação para que você assista aos três filmes que menciono aqui, tenho certeza de que essa reflexão poderá mudar sua vida, representar um shift de consciência. Basta abrir a sua mente e seu coração pois  existe um propósito maior para a vida do que apenas “Crescei e multiplicai-vos”.  Muitos não entendem esta passagem da Bíblia, onde crescei quer dizer, evolua como ser e não no sentido de crescer em quantidade, esta noção está implícita no multiplicai-vos.

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Que esse texto possa nos fazer refletir sobre a crise moral que estamos vivendo, o nosso papel nisso e que nos ajude a ver que tudo pode ser diferente, bastando que nossas escolhas nos coloquem no sentido certo da evolução.

Se um refugiado eu fosse e se me perguntassem de onde venho, eu responderia do planeta Terra!

Para o universo conspirar é preciso suar!

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Saudações atemporais e amorosas!

Carlos Avel.

 

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